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Deise Grazioli

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☆ Enfermagem e Saúde ☆

♡ Enfermagem é a arte e a ciência do ato de cuidar.♡
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VOCê SABE DE ONDE VEM A PALAVRA HIGIENE?

Hoje em dia, as pessoas falam tanto sobre a higiene, que ninguém se lembra que a palavra nem era usada até o início do século 19.
Ela é tão importante que os livros sobre
saúde humana da época deixaram de falar sobre "cuidado" ou "conservação" da saúde para serem chamados de "manuais ou tratados de higiene", uma palavra que antes não era usada.
Higiene vem do
grego hygeinos, que significa "o que é saudável".

www.canalkids.com.br 

Biosegurança

 Site muito bom de pesquisa: http://www.cih.com.br/maos.htm, pesquisa retirada deste site.Acesse!

LAVAGEM DE MÃOS

A lavagem de mãos é tradicionalmente o ato mais importante para a prevenção e o controle das infecções hospitalares . Historicamente foi comprovada sua importância por Semmelweiss e merecido atenção das publicações clássicas mais importantes sobre infecções hospitalares. Semmelweiss, um dos pioneiros em controle de infecção hospitalar, reduziu as taxas de infecções puerperais através da determinação de o ato de lavagem das mãos com solução germicida, após as necrópsias e antes do atendimento a partos, em 1848 .

Microorganismos e freqüência da lavagem de mãos

Elaine Larson, em 1981, demonstrou que 21% dos profissionais de saúde pesquisados apresentavam colonização das mãos com bactérias gram-negativas, quando comparados com 80% do grupo controle, que eram pessoas que não trabalhavam em hospitais. Dentre as 22 espécies de bactérias gram-negativas encontradas, 45% eram Acinetobacter e 39% eram Klebsiella-Enterobacter. Pessoas que lavavam as mãos mais de 8 vezes por dia eram menos colonizadas do que as que lavavam menos de 8 vezes .Alguns estudos microbiológicos, segundo a mesma autora, demonstram que o aumento da freqüência da limpeza diminui a microbiota das mãos. Essa flora pode aumentar quando o número desse procedimento ultrapassar de 25 vezes por dia, devido ao ressecamento excessivo das mãos.

Pesquisa realizada no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, pelo Serviço de Controle de Infecção, em 1990, para avaliar a freqüência e qualidade da lavagem das mãos por profissionais médicos e de enfermagem da unidade de Neonatologia, demonstrou que o número de vezes que os profissionais de enfermagem tocavam nos recém nascidos era 6 vezes maior do que a equipe médica. Dentre os profissionais observados, a equipe médica lavava mais as mãos do que a equipe de enfermagem, talvez pela menor freqüência da necessidade do ato pelos enfermeiros . Em Neonatologia a totalidade dos os pacientes têm dependência total e a enfermagem é quem realiza todos os cuidados.

Biosegurança

Flora transitória das mãos

Microrganismos isolados ocasionalmente na pele que são rapidamente removidos pela lavagem ou anti-sepsia das mãos. Exemplos: alguns gram-negativos, tais como Escherichia coli.

Flora residente

Microrganismos persistentemente isolados da pele da maioria das pessoas. Eles são de mais difícil remoção e é necessária a fricção vigorosa durante a lavagem das mãos. Exemplos: Staphylococcus coagulase-negativos, Corynebacterium sp, Acinetobacter sp, Propionibacterium e alguns membros da família Enterobacteriaceae.

QUANDO LAVAR AS MÃOS

O ato de lavar as mãos depende basicamente de cultura como:

-antes de alimentar-se

-após ir à "toillete"

-após assoar o nariz

-sensação desagradável de estar com as mãos sujas ou que tocaram umidade.

O conforto também diz respeito à maior ou menor freqüência de lavar as mãos e depende:

- da localização da pia

- da higienização da pia

- do tipo de sabão

- da temperatura da água

- da possibilidade de secagem

Embora o conforto seja importante e racionalmente induza a maior freqüência de lavagem de mãos, ainda não existem pesquisas que comprovem o impacto na freqüência pela troca de um produto mais agradável

LAVAGEM X ANTISSEPSIA DE MÃOS

LAVAGEM COMUM
Remoção de sujidade e flora transitória

ANTISSEPSIA
Remoção e destruição de flora transitória

ANTISSEPSIA - PREPARO CIRURGICO
Remoção, destruição da flora transitória e redução da flora permanente

DECISÃO

LAVAGEM OU ANTISSEPSIA DAS MÃOS?

DEPENDE DE:

  • Intensidade do contato com o paciente ou fômites
  • O grau de contaminação
  • Suscetibilidade do paciente
  • Tipo de procedimento que será realizado

Biosegurança

ÁLCOOL GLICERINADO E SIMILARES

O uso de produtos como álcool glicerinado tem sido recomendado por alguns autores, considerando que a fricção das mãos com germicida é capaz de eliminar a maioria dos microorganismos transitórios este procedimento irá evitar a disseminação de microorganismos. Sua utilização, portanto, poderá ser depois de todos os contatos no laboratório de microbiologia e naqueles procedimentos que são considerados como "muito sujos" na escala de Fulkerson quando eles envolvem locais infectados  Este procedimento também pode ser realizado quando outros contatos classificados como "sujos" , embora a lavagem com sabão comum seja aceitável.

O uso deste tipo de produto sem a lavagem de mãos é ainda bastante discutida em nosso meio, embora indicada no manual de lavagem de mãos do Ministério da Saúde do Brasil. Um dos motivos de tal discussão é exemplificado em estudos como o feito na Noruega onde ficou demonstrada que ainda existia crescimento de microorganismos de mãos contaminadas com 104 microorganismos, e utilizado apenas álcool. Com este tipo de trabalho, adicionado a outros que demonstram a inefetividade de alguns germicidas à microorganismos resistentes  a questão continua a ser discutida

No entanto, muitos tem sido os novos trabalhos indicando este produto e provando sua efetividade. Além disto no último Congresso Brasileiro de Infecções e Epidemiologia Hospitalar, autoridades na área como Didier Pittet e Andrea Voss defenderam com sólidos argumentos o uso de álcool glicerinado mostrando a redução de carga bacteriana com este tipo de produto.

Embora, como visto anteriormente, alguns autores ainda recomendem álcool glicerinado, ou sejam utilizados "lenços"com anti-séptico é difícil aceitar este procedimento como substituto de lavagem das mãos. Em alguns locais, pela dificuldade de acesso à uma pia e/ou necessidade de uma higiene rápida das mãos, a alternativa pode ser prática. No entanto, tão logo possível se sugere que as mãos sejam lavadas com água e tensoativo (sabão) que ajuda a seqüestrar a sujidade. Dependerá do grau de sujidade a ação do anti-séptico, já que os germicidas em geral são Inativados por matéria orgânica em maior ou menor grau

 

PRODUTOS A SEREM UTILIZADOS:

Os produtos a serem utilizados podem ser:

·               SABÃO COMUM = não degermante

·            barra, líquido, pó

·            A ação é mecânica pela remoção da sujidade e de microorganismos.

Não há preferência pelo sabão líquido em detrimento de sabão comum [iii][9]. Embora durante alguns anos tenha sido indicado preferencialmente o sabão líquido, não existem estudos que comprovem a indicação preferencial.

·            SABÃO DEGERMANTE = antimicrobiano

·            barra, líquido, pó

·            Ação: destruição ou inibição da reprodução de m.o.

APRESENTAÇÃO DOS PRODUTOS

A pele representa papel importante na transmissão, menos por descamação acompanhada de microorganismos colonizantes transitoriamente do que pelas próprias mãos não lavadas ou lavadas impropriamente. Além disto a pele lesada por sabão de má qualidade combinado ou não com anti-séptico pode colonizar facilmente com outros microorganismos além daqueles das camadas mais profundas da pele.

O tipo de produto utilizado é um ponto importante no que se refere à lavagem de mãos. Desde os primeiros estudos do Centers for Disease Control (CDC) publicados em 1985 foi enfatizada a importância do recipiente que continha o produto. Sendo sabão líquido, o dispensador deveria ser descartável ou higienizado regularmente antes de reencher. Sendo em barra era importante que fossem pequenos para uma troca constante e colocação em saboneteiras vazadas para maior facilidade de higienização e escoamento da água. As recomendações iniciais definiam a necessidade do uso de sabão líquido em detrimento de sabão em barra. Hoje a recomendação não é restrita ao sabão líquido. Esta questão mudou face a descrição de contaminação também com a apresentação líquida. No entanto, recipientes com sabão líquido descartáveis podem ser mais seguros justamente por esta possibilidade de contaminação dos recipientes.

Recipiente para produto líquido:

  • Recipiente rígido, descartável, acionado com o pé ou acionado com a mão ou cotovelo, ou célula foto elétrica.
  • Recipiente tipo "sachet" descartável, acionado com a mão. A higiene interna deste tipo de saboneteria não deve ser esquecida. Deve haver rotina de limpeza sistemática.
  • Recipiente não descartável: limpeza sistemática antes de reencher. Deve ser esvaziado o recipiente, higienizado e só então preenchido.

Recipiente para produto sólido.

  • A saboneteira deve permitir drenagem resíduos. Deve haver rotina de limpeza sistemática.

Quando a opção é utilizar para sabão de glicerina em barra, o ideal é que seja cortado em pequenos pedaços.

Quando a opção é sabão líquido e os dispensadores não são descartáveis é necessária rotina para a manutenção das mesmas higienizadas da forma ideal.

As apresentações disponíveis no mercado nacional para sabonetes e anti-séptico em recipiente descartável são semelhantes. São encontrados três tipos:

a) acionado com o pé em sistema de bomba com pressão em frasco com vasos comunicantes. A ponta damangueira é colocada externamente em uma das extremidades do frasco impulsionando ar.

b) sistema de "pump".

c) tipo "sachet"

Biosegurança

MÃOS CONTAMINADAS E ANTISSÉPTICOS

A questão do uso de anti-sépticos em áreas onde existem pacientes com maior risco de adquirir infecções hospitalares, como Centros de Tratamento Intensivos (CTIs) e/ou quando as mãos ficam grosseiramente contaminadas é bastante evidente no estudo Norueguês [6] citado anteriormente. Após contaminação grosseira das mãos com (104 ) microorganismos a lavagem de mãos com anti-séptico associado foi bem mais efetiva no que se refere a microorganismos residuais do que sabão comum. Mesmo assim, a redução da contaminação ocorreu apenas após repetidos usos dos diferentes anti-sépticos, à semelhança dos trabalhos de Larson [2].

Embora as evidências científicas sejam escassas, a utilização de anti- sépticos em algumas situações especiais pode ser recomendada: no cuidado a recém nascidos, no cuidado a pacientes com imunossupressão por patologia (como leucêmicos) ou induzida por terapêutica como em uso de quimioterapia e/ou transplante e medula óssea. Além destas situações, a recomendação clássica mais evidente é antes de procedimentos invasivos, como as cirurgias.

Por outro lado, a escolha de anti-sépticos, à semelhança de soluções desinfetantes para materiais e descontaminação dirigida de ambientes deve considerar o espectro de ação. Embora o espectro de ação seja importante, e seja estudado este aspecto, é conveniente lembrar que não necessariamente um amplo espectro de ação é necessário para determinadas situações. Em berçários, por exemplo, seria necessário um anti-séptico que fosse ativo contra mycobactérias? Além disto, a forma de transmissão de tuberculose pulmonar é bem conhecida e não está descrita transmissão através das mãos. Ocorre que a preocupação com a patogenicidade de determinados microorganismos é tão importante, que dificilmente se deixa de dar atenção a estes microorganismos no momento de se definir o espectro exigido.

Talvez estas questões não sejam fáceis de ser equacionadas, pois a preocupação com vírus e principalmente Staphylococcus aureus meticilina-resistente (MRSA) é uma questão real . O espectro de ação é importante para soluções anti-sépticas para as mãos e ainda recentemente tem merecido estudos a respeito buscando o anti-séptico ideal

 

CARACTERÍSTICAS DOS ANTI-SÉPTICOS

Os anti-sépticos podem ser usados como complementação após a higiene com sabão comum. Um tensoativo (sabão) adicionado de anti-séptico é conhecido como degermante no mercado brasileiro.

A escolha de um anti-séptico é baseado na análise dos seguintes aspectos

  • MODO DE AÇÃO
  • ESPECTRO DE AÇÃO
  • RAPIDEZ DE AÇÃO
  • PERSISTÊNCIA
  • SEGURANÇA E TOXICIDADE
  • INATIVAÇÃO POR MATÉRIA ORGÂNICA
  • DISPONIBILIDADE DO PRODUTO

ANTI-SEPSIA PRÉ OPERATÓRIA DAS MÃOS

Durante muitos anos a prática de utilizar escovas para o preparo pré operatório das mãos e complementação com produto iodado e álcool foi uma recomendação aceita. Além disto os trabalhos descreviam qual o número de vezes que cada superfície dos dedos palmas , dorso das mãos etc. deveria ser escovado. À medida em que os conhecimentos foram evoluindo, e sendo realizadas novas pesquisas as indicações se tornaram mais comprovadas. Hoje, as recomendações para este procedimento são as seguintes:

  • A escovação deve restringir-se às unhas e espaços interdigitais.
  • Não há necessidade de escovação de antebraços. A escovação da pele nestes locais sensíveis pode ocasionar microlesões que serão propícias para a multiplicação de microorganismos colonizantes das camadas mais profundas da pele.
  • A lavagem das mãos com tensoativo (sabão) e complementação com produto alcoólico com iodo metalóide está cada vez mais em desuso embora ainda recomendado no território nacional. Os produtos com iodo necessitam para agir com os microorganismos de percentual de iodo que é liberado gradativamente, o que não tem sido comprovado pelos produtos citados. Aos poucos estão sendo substituídos por produtos a base de Polivinil-pirrolidona- iodo que liberam o iodo gradativamente.
  • A utilização de degermante à base de clorohexidina e polivinil- pirrolidona- iodo é a opção mais utilizada e aceita atualmente.
  • Após a escovação das unhas e espaços interdigitais, friccionar os antebraços vigorosamente.
  • O enxágües será realizado após o uso dos produto degermante com as mãos para cima deixando a água escorrer pelos antebraços.
  • Poderá ser realizada complementação com produto alcoólico após a secagem das mãos com compressas esterilizadas.
  • As luvas cirúrgicas serão colocadas com técnica asséptica: A) Após a secagem com compressas esterilizadas; B) A pós a secagem com compressas esterilizadas, utilização de anti-séptico alcoólico e secagem natural.
  • A apresentação de 70% (ou 70º - semelhante à 70%) de álcool + 0,5% Clorohexidina pode ser utilizada como complementação da degermação com clorohexidina.
  • A utilização de PVPI alcoólico como complementar pode causar dermatite de contato quando utilizado sob as luvas.
  • Não há recomendação de utilizar álcool puro como complementação à lavagem de mãos com degermante, pois os compostos à base de clorohexidina e PVPI contém ação residual e o álcool não.